O que são jogos colaborativos?

Reconhecemos a extensão universitária a partir do conceito de mediação onde “toda ação de interferência […] direta ou indireta; consciente ou inconsciente; singular ou plural; individual ou coletiva; que propicia a apropriação de informação que satisfaça, plena ou parcialmente, uma necessidade informacional (ALMEIDA JÚNIOR, 2009, p.3), reconhecendo a ação por meio de um novo paradigma que medeia os saberes entre a comunidades e o saber sistematizado da universidade, estando ambos relacionados, de forma indissociável e horizontal.
A horizontalidade das relações educacionais norteia as referenciais deste programa, esta permeia o trabalho de Freire (1987, 1996), sendo estabelecida como uma base dialógica onde os atores do processo se encontram lado-a-lado, trabalhando em conjunto para criar os fundamentos necessários da ação pedagógica, entendendo que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção” (FREIRE, 1996).
Cabe-nos uma atitude interdisciplinar, que rompa a barreira que separa os conhecimentos e os horizontalize, afinal os “paradigmas clássicos, fundados numa visão industrialista predatória, antropocêntrica e desenvolvimentista, estão se esgotando, não dando conta de explicar o momento presente e de responder às necessidades futuras” (GADOTI, 2003). Definimos a interdisciplinaridade de acordo com Fazenda (2008) e Gadoti (2003), como uma atitude pedagógica que visa romper a barreira positivista de fragmentação, que reconhece a importância dos diversos saberes e vincula aos participantes, redescobrir seus talentos e rever suas práticas em torno de uma forma sistêmica de valoração cognitiva.
Para que o diálogo entre educação e interdisciplinaridade ocorra, compreendemos o papel fundamental da participação, que segundo Boardenave (1983), “é fazer parte, tomar parte ou ter parte” em algo, em grupo, levando os atores envolvidos no processo a “se sentir” parte, reconhecendo-se sujeito do processo de tomada de decisão”. Não podemos pensar uma educação horizontal, fundamentada na interdisciplinaridade, sem oportunizar vias para a participação, os jogos cooperativos e as metodologias ativas são importantes mecanismos de mediação para o fomento a participação em ações educativas.
Nos jogos cooperativos o processo é tão importante quanto o resultado, sua estrutura alternativa onde os participantes jogam uns com os outros, ao invés de uns contra os outros, estabelece o jogo cooperativo como uma atividade onde os participantes podem ter igual importância. Joga-se para superar desafios, joga-se por gostar do jogo e pela satisfação de joga-lo, nestes jogos o esforço cooperativo é a ferramenta para vencer, muito mais importante torna-se, portanto, reconhecer o outro como parceiro, que divide com você o mesmo interesse em um processo onde as pessoas se complementam. (BROTO, 2013; ALMEIDA, 2011, ALMEIDA 2010).
ALMEIDA (2010) complementa a ideia quando nos descreve que a finalidade dos jogos cooperativos é o brincar com o outro, o sucesso e o fracasso são compartilhados, todos fazemos parte do mesmo jogo.
As Metodologias Ativas proporcionam uma nova visão contra hegemônica ao estabelecer os participantes como figura central da ação educativa, portanto, de caráter horizontal. Sua implementação favorece uma motivação autônoma incluindo o fortalecimento da percepção do estudante de ser origem da própria ação, ao serem apresentadas oportunidades de problematização de situações envolvidas na programação escolar, de escolha de aspectos dos conteúdos de estudo, de caminhos possíveis para o desenvolvimento de respostas ou soluções para os problemas que se apresentam alternativas criativas para a conclusão do estudo ou da pesquisa, entre outras possibilidades (BERBEL, 2011).
Desta forma os jogos cooperativos, tal como fomentados pelo LIJC se tornam metodologias ativas, propiciando a participação horizontal centrada nos participantes. Ambos os temas se encontram inter-relacionados, o que amplia as possibilidades de atuação e mediação do programa.
Concluímos esse referencial compreendendo que as ações voltadas aos jogos cooperativos são capazes de fomentar a participação, visto que valorizam o conjunto, a conquista de metas que seriam impossíveis de forma individual. Buscaremos reconhecer e sistematizar essas experiências (ações, atitudes e metodologias), que vão de encontro ao paradigma individualista formado pela racionalidade instrumental, viabilizando a formação de uma cultura da participação voluntária e colaborativa orientados pelos princípios da inclusão, do pluralismo, da igualdade participativa, da autonomia e do bem comum.


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