O que são metodologias ativas?

As metodologias ativas, surgem com o princípio de centralizar o estudo no estudante, e não mais no professor, pensar a educação a partir dos objetivos do estudante e proporcionar a ele uma maior autonomia na sua formação intelectual. Isso ocorre através da análise das situações, dos conhecimentos dos estudantes e da realidade a sua volta, como ponto de partida para a atividade pedagógica.

Os diversos estudos sobre as metodologias ativas apresentam conceitos complementares, mas não existe um marco teórico para o campo, de certo que a ação induziu a conceituação:

Podemos entender que as Metodologias Ativas baseiam-se em formas de desenvolver o processo de aprender, utilizando experiências reais ou simuladas, visando às condições de solucionar, com sucesso, desafios advindos das atividades essenciais da prática social, em diferentes contextos (BERBEL, 2011, p. 29).

se envolver ativamente no processo de aprendizagem, o aluno deve ler, escrever, perguntar, discutir ou estar ocupado em resolver problemas e desenvolver projetos. Além disso, o aluno deve realizar tarefas mentais de alto nível, como análise, síntese e avaliação (BARBOSA; MOURA, 2013, p. 55).

entendidas como aquelas que incentivem e dão apoio aos processos de aprender. São situações de aprendizagem que os professores planejam em parceria com os alunos, as quais provocam e incentivam a participação, postura ativa e crítica frente à aprendizagem (GAETA; MASETTO, 2010, p. 05).

o aluno passa a ser protagonista de seu processo de aprendizagem e os professores assumem o papel de mediadores/facilitadores […] que proponham desafios concretos a serem superados pelos acadêmicos, permitindo que eles sejam sujeitos na construção do conhecimento. (WALL et ali, 2008, p. 516).

As metodologias ativas utilizam a problematização como estratégia de ensino-aprendizagem, com o objetivo de alcançar e motivar o discente, pois diante do problema, ele se detém, examina, reflete, relaciona a sua história e passa a ressignificar suas descobertas. A problematização pode levá-lo ao contato com as informações e à produção do conhecimento, principalmente, com a finalidade de solucionar os impasses e promover o seu próprio desenvolvimento (THEMES, 2008, p. 2136).

A partir destas elucubrações conceituais, entendemos que as metodologias ativas são práticas pensadas para a atividade de sala de aula visando desenvolver processos de aprendizagem através de desafios concretos a serem superados, advindos das atividades essenciais da prática social em diferentes contextos, sejam eles reais ou simulados, onde estas são planejadas por professores e alunos, tendo o professor o papel de incentivar e dar suporte para o estudante de forma que ele examine, relacione, reflita e relacione a sua própria realidade, de forma participativa e crítica frente sua própria aprendizagem, com a finalidade de levar o estudante ao contato com as informações e à produção do conhecimento para solucionar os impasses e promover o seu próprio desenvolvimento, permitindo que eles sejam sujeitos na construção do conhecimento.

Essa necessidade de aproximação conceitual é uma lacuna das metodologias ativas, uma vez que as primeiras publicações do campo se iniciam na década de 90, com os estudos sobre Active Teaching and Learning Methodologies[1], principalmente da obra Active Learning: Creating Excitement in the Classroom, de Charles C. Bonwell  e James A. Eison, que é referência nos estudos sobre metodologias ativas no mundo[2].

Os autores iniciam o livro buscando aportes históricos para o que seria o conceito de active learning, chegando a conclusão de que muitos pontos são obscuros, não sendo possível precisar a tomada do conceito, no entanto, eles apontam, como objetivos da ação cominada pelo conceito:

“Os estudantes estão envolvidos em mais do que ouvir. Menos ênfase na transmissão de conhecimentos e mais desenvolvimento das habilidades dos estudantes. Os estudantes estão envolvidos em pensamentos mais complexos (análise, síntese, avaliação). Os estudantes estão envolvidos em atividades (por exemplo, leitura, discussão, redação). Uma maior ênfase é colocada sobre a exploração das próprias atitudes e valores dos estudantes” (BONWELL; EISON, 1991, p.2, tradução nossa).

Estes objetivos se enquadram justamente na conceituação de metodologias ativas, uma vez que dizem respeito a formação do estudante com menos ênfase na transmissão de conhecimentos e maior ênfase na exploração dos seus próprios valores e atitudes (autonomia).

No Brasil, o professor José Manuel Moran, da Universidade de São Paulo, já conduzia, no final da década de 80, através do Laboratório de Estudos para o Futuro – USP, uma série de discussões sobre a didática e a necessidade de adequar a realidade educacional as necessidades globais e as tecnologias da informação e da comunicação que se enunciavam. Em uma época que a internet ainda dava tímidos passo na academia, este grupo já discutia o que hoje conhecemos como Blended Learning[3].

São muitas as considerações a serem feitas sobre o marco conceitual das metodologias ativas, mesmo esse não sendo nosso objetivo, ele ilustra o interesso por pensar novas e instigantes metodologias para o cotidiano educacional.

As metodologias ativas corroboram com a educação crítica a partir da autonomia e do respeito aos saberes dos educandos, sendo que o que impulsiona a aprendizagem é a superação de desafios, a resolução de problemas e a construção do conhecimento novo a partir de conhecimentos e experiências prévias dos indivíduos (FREIRE, 1996; BERBEL, 2011). Algumas das possíveis vantagens das metodologias ativas são apresentadas a seguir (BARBOSA; MOURA, 2013; BERBEL, 2011):

  • As metodologias ativas fornecem a chance de ampliar a liberdade e a autonomia por meio da cooperação;
  • Fomenta o espirito critico de tomada de decisões em diferentes momentos do processo que vivencia, preparando-se para o exercício profissional futuro;
  • A experimentação/desenvolvimento de métodos ativos variados possibilita uma melhor formação durante a graduação do professor, impactando na sua postura como professor.
  • Quanto mais métodos o profissional conhecer, melhores condições pessoais e profissionais disporá para atuar com os estudantes e no conjunto das atividades escolares;
  • Proporciona uma contribuição relevante na criação de ambientes de aprendizagem contextualizada, com impactos de grande interesse para a formação do estudante;
  • Os estudantes que vivenciam este método adquirem mais confiança em suas decisões e na aplicação do conhecimento em situações práticas;
  • Os estudantes melhoram o relacionamento com os colegas, aprendem a se expressar melhor oralmente e por escrito;
  • Os estudantes adquirem gosto para resolver problemas e vivenciam situações que requerem tomar decisões por conta própria, reforçando a autonomia no pensar e no atuar.

Existem várias metodologias ativas, para várias situações e contextos educativos, o que se apresenta, em primeiro momento, como complexo, no entanto, quando pensamos em metodologias ativas não pensemos em uma fórmula que vai ser aplicada para resolver todos os problemas. Pensemos as metodologias ativas como possibilidade, a partir dos problemas que o educador detecta e de seus objetivos educacionais, dialogados com os estudantes, ele pode traçar a rota que melhor se adequa a sua realidade e modificá-la, se necessário, para que possa atender as necessidades dos participantes.

[1] Metodologias ativas de ensino e aprendizagem (tradução nossa).

[2] Em busca nas bases de dados do SCIELO, CAPES, GOOGLE ACADEMIC e THESAUROS, com os descritores Metodologias ativas, Aprendizagem Ativa e Ensino Ativo (em inglês e português) este aparece como o livro mais referenciado do campo, e justamente este campo tem os autores mais citados sobre o tema.

[3] Em Webconferência com o Grupo de Educadores Google do Rio Grande do Norte, Professor Moran fala um pouco de história e trajetória na pesquisa sobre metodologias ativas e tecnologias digitais, falando sobre o Laboratório de Estudos para o Futuro da USP (Ver mais em: https://www.youtube.com/watch?v=Q6xf_z_HpeY)

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